terça-feira, 28 de setembro de 2010

Maldita expectativa.

"Expectativa: Espera; Esperança baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas."
Poucas vezes conclui quão ruim é alguma palavra. Penso ininterruptamente e não entendo o porque disso existir. O primeiro argumento que surge em minha mente é o fato de que muitas vezes nem mesmo nós correspondemos ao que desejamos, agimos como seria provável ou sentimos o esperado. Então qual a finalidade de esperar que outra pessoa se comporte de determinada forma? Masoquismo é a resposta mas óbvia. Mas uma resposta para alguém que não gosta de sofrer eu ainda estou procurando.

Ninguém melhor que nós mesmos para conhecer nossos próprios defeitos. Sabemos como ninguém o quanto erramos, decepcionamos os outros, deixamos de sentir, ou até sentimos demais. Não entendo o porque esperar tanto de alguém - e muitas vezes nem é muito o que esperamos. Esse alguém é como nós; decepciona, erra, se ilude. Tudo seria tão mais fácil se partisse do princípio que ninguém deve nada ao outro. Não é porque alguém te beijou de uma forma nova que realmente possa existir algo de especial nessa pessoa. Não é porque alguém olhou em seus olhos e sorriu, que isso signifique que não haviam centenas de lágrimas camufladas nesse olhar. Uma conversa pode não ser nada além de frases vazias escapando de uma boca fria.

Um poeta romântico - que contorna seu corpo com um leve toque ao tocar o papel com a tinta - pode nunca ter levado em conta aquelas doces palavras que inexplicavelmente sairam de dentro dele. Um palhaço, que rouba sorrisos sinceros de uma criança num fim de tarde, pode nunca ter sentido a intensidade e o brilho de sua própria risada.

Sempre tentei me proteger de ilusões, nunca apostei grande parte das fichas que tinha em mãos em ninguém. E é engraçado como depois de ter tantos sorrisos brilhantes em mãos, tantas conversas surpreendentes e beijos - que até então - me faziam tremer; um sorriso desconhecido, conversas interessantes e um beijo numa noite fria me fariam refletir hoje. Ainda estão me fazendo refletir e chegar a conclusão que é justamente a palavra que eu não gosto e não entendo o porque de existir, que anda atordoando minha mente: a maldita expectativa.

Obviamente amanhã, ao amanhecer, eu veja um sorriso brilhante, escute uma voz firme ou sinta meu corpo tremer forte - só temo que não seja encantador como foi com você. Só não consigo entender porque terei de pensar justamente nele, durante toda a extensa madrugada. Porque é esse beijo que eu tanto quero - e não devo - sentir denovo? Foi quando eu menos desejava tremer e ver brilhar, que hoje eu fecho os olhos e lembro do que aqueceu aquela noite fria.